aos corpos errantes
aos corpos errantes!
que liberem seus desejos e anseios, e que sua ansiedade baixe, respire, inspire, toque, não no amigo… peles e reflexos de sua oura pele, sua pele é côncava e convexa ao mesmo tempo, depende de como você usa e mostra ela.
a pele que torce e tece… tece uma relação com o outro, e torce para dentro dela, tentando encontrar algo, a sua outra pele, chamada alma.
e a alma quando encontra a alma do lado, já torcida, acontece o “tece”, que é a troca de suas almas, de duas peles torcidas…
vamos tecer e torcer nossas almas peles?
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argila e o novo
estou continuando a minha história, com outra letra, mudei de fonte, espacei as linhas, e as letras
uso bastante algumas PALAVRAS, e me esqueci de algumas
essas linhas têm forma agora, conteúdo sempre tiveram, não posso reclamar
a forma é pra ser delineada, lapidada
mas não vou viver de apenas uma vaidade de quem esculpe argilas
vou viver a argila, moldada, desmontada, monta, sobe o monte, desce, sobe de novo
novo,
é a nova página, a nova fonte, espaçada, meu canto é letrado, sem voz, mesmo rouca, é mudo
mas cheio de praxis, de capas e temas, de pessoas e personagens.
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espelho
a sua vergonhatimidez é linda,
de colocar a mão no sexo, que finge
pra esconder, de ombros côncavos, da pele que se abraça, auto,
se auto abraça.
os olhos que olham pra própria nuca,
que se miram, mas não se olham, convexo
te olham.
que tem vergonha, timidez, medinho
mas tem um beijo,
ah esse beijos que você tem
é de tirar o fôlego, de corpo em corpo
antebraço,
tem cheiro de amor e carinho,
faz os braços descruzarem
e o beijo que se instala de corpo em corpo
de skin e second skin, de coração pra sempre.
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Suflair delineado
No caminho para cumprir a rotina de trabalho, todo dia, o mesmo farol, as mesmas pistas, as mesmas ultrapassadas, tudo dentro do carro.
E todo dia, no mesmo farol, um moço que vendia Suflair, os tabletes mais vendidos.
Um moço moreno que corre entre as fileiras dos carros para servir a TODOS! Eu nunca comprei um, mas todos os dias faço questão disso, olhar nos olhos dele e acenar a mão.
Eu olho nos olhos dele porque ali tem algo diferente, refinado. Tenho muito a sensação de que este moço moreno que carrega caixinhas de Suflair e uma mochila, sempre de boné, tem um rosto delineado, acetinado, marcado.
O que mais me faz olhar são as sobrancelhas delineadas de maneira artística, e é ali que vejo o “especial, refinado. Vejo um artista, talvez um palhaço, ou ator do teatro Opera Buffa, Satyros, ou seiláoquê, mas tem artista ali, que vende Suflair durante o dia para delinear pessoas à noite com sua feição, no mínimo curiosa.
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banho
este banho que vale como um,
abraço
que chega perto de uma transa
que me abraça como você me abraça
que me acalma
meu banho é meu momento, sou eu,
em qualquer lugar do mundo
meu banho é quente, me faz calor, caliente
- quer esse banho?
- pega o sabonete por favor?
fechei a torneira (…)
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ensaios e joelhos
não vou me apresentar desta vez
apenas um “oi” e saudações com o corpo
e voz
desta vez, sou a parte que não conheço, ainda
sou a outra metade, parte
vou andar e fazer como nunca feito
vou gritar e olhar com cara de maluca, minha cara
a cara que eu quiser…mas não de cara…
- Oi, prazer!
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de lado
vou pegar na sua mão,
não morra de medo, talvez te aperte, de leve e você sinta,
ou não sinta…
venha comigo, leve, como leve…
e vamos entrar juntos, devagarzinho, não pise muito forte…pise primeiro com as pontinhas dos pés…e não faça barulho, (só se for no meu ouvido), e eu te respondo que sim, que estamos chegando já…não vai demorar muito, mas fique sempre ao meu lado.
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música para amores virtuais
Futurismo
Kassin + 2
Quando eu penso em viagens espacias
E nos amigos deliais
Fico tonto sem saber como que vai dar pra entender
O genoma e os neurônios saltitantes
Clones humanos e implantes
O futuro até parece uma brincadeira delirante
Mas se você quiser meditar, no futurismo
E tudo o que deixamos passar, sem se importar
Parece que perdemos o senso de humanismo
E agora a água pode acabar
“Existem milhões de neurônios em nossos cérebros.
Desses milhões de neurônios, uns poucos, só alguns poucos, são neurônios saltitantes. Conseguem captar as características mais novas, dentro do cérebro da mãe e do pai, que serão transmitidas aos seus filhos e filhas.”
Quando penso nos amores virtuais
Nas maquinhinhas digitais
Fico sem saber como fazer pra me convencer
O genoma e os neurônios saltitantes
Ficam alegres e falantes
O futuro até parece com uma patada de elefante
E a natureza serve só para combustível
E tudo o que deixamos queimar, sem se importar
Parece que perdemos o senso e o juízo
E agora o mundo vai se esquentar
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partes do parque
Neste parque tem de tudo, é quase uma salada russa.
Têm casais, solteiros, gays e doentes.
Têm casais em plena sintonia, de mãos dadas, um de patins, um a pé mesmo, que fôlego!
Têm casais, os dois de patins, de mãos dadas, outros desatados.
Têm os cumprindo tabela, de mãos soltas. Sem palavras.
Têm solteiros virados da noite, prontos pra outra. Têm outros refletindo.
Este parque, na falta de vida, faz bem pra qualquer um.
Tem a Caminhada contra doenças cardiovasculares, todos de uniforme, andando, andando.
Tem espaços de sol e de sombra. De tumulto e de paz.
Os de tumulto revelam-se entre bicicletas, crianças, cachorros, bicicletas automatizadas para os ricos.
Os lados de paz são para os concentrados com sua respiração e sua transpiração, inspiram e expiram, estão em paz.
Os pais que ensinam os filhos na fase de tirar as rodinhas de suas bicicletas, o passo marcado de quem corre, corre, corra.
Uma parte do parque para quem quer parte de vida.
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